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Causas da alergia a cães e como se diagnostica

Ter alergia a cães significa que o sistema imunitário reage de forma exagerada a certas proteínas presentes nestes animais. Essa condição pode manifestar-se de duas formas: como alergia respiratória, caracterizada por espirros, congestão nasal e dificuldade em respirar; ou como reações cutâneas, que incluem vermelhidão, comichão e erupções na pele após o contacto direto com o animal. Ao contrário da crença comum, não é o pelo do cão que causa a alergia, mas sim as proteínas presentes na sua saliva, urina e caspa, composta basicamente por células mortas da pele. Estas partículas microscópicas podem permanecer suspensas no ar durante horas e até dias, causando sintomas em pessoas sensíveis, sem necessidade de o animal estar presente. 

Diferenças entre alergia e incómodo ao pelo canino 

Muitas pessoas confundem uma verdadeira alergia a cães com simples incómodos causados pelo pelo canino. A diferença reside no facto de a alergia envolver o sistema imunitário. Quando alguém tem alergia a cães, o seu organismo identifica erroneamente certas proteínas caninas como ameaças, desencadeando a libertação de histamina e outras substâncias que provocam inflamação e os sintomas característicos.  

Em algumas ocasiões, as pessoas podem sofrer irritações mecânicas quando o pelo do cão entra em contacto com a pele ou as vias respiratórias, mas isso não implica uma resposta imunitária. Os pelos podem entrar nos olhos, nariz ou garganta e causar comichão, lacrimação, espirros ou comichão. Estas reações costumam ser temporárias e menos intensas do que as de uma alergia verdadeira. 

Outra diferença importante é a consistência dos sintomas. Quem sofre de alergia a cães terá reações sempre que for exposto aos alergénios, enquanto o incómodo causado pelos pelos pode ser ocasional e variar de acordo com fatores como a quantidade de pelos soltos ou a época de muda do animal. 

Para distinguir entre ambas as condições, é recomendável observar se os sintomas persistem após limpar o ambiente ou dar banho ao cão. As alergias continuarão a manifestar-se porque os alergénios continuam presentes no ambiente, enquanto os incómodos causados pelo pelo tendem a diminuir consideravelmente. 

Principais alergénios caninos e sua origem 

Os principais desencadeadores da alergia a cães são as proteínas específicas que o sistema imunitário identifica como ameaças. Até ao momento, foram reconhecidos sete alergénios caninos. Entre eles, destacam-se as proteínas Can f 1, Can f 2 e Can f 5. 

  • proteína Can f 1 encontra-se principalmente na saliva e caspa do cão e é a mais comum, afetando mais de metade das pessoas com alergia a cães. Quando o animal se lambe, esta proteína distribui-se por todo o seu pelo e, ao secar-se, dispersa-se sob a forma de partículas microscópicas que flutuam no ar. 
  • proteína Can f 2 também está presente na saliva, mas em menor concentração, e afeta uma percentagem menor de pessoas com alergia (entre 20 e 30 %).  
  • proteína Can f 5 está localizada na urina e na caspa de cães machos não castrados e está relacionada com a hormona prostática canina. Mais de 60 % das pessoas alérgicas a cães apresentam sensibilidade a este alergénio, o que explica por que algumas pessoas reagem mais intensamente aos machos do que às fêmeas.  

O pelo do cão não é um alérgeno em si, mas atua como transportador de partículas de saliva seca, caspa e restos microscópicos de urina, dispersando-os pelo ambiente quando o cão se sacode ou quando as correntes de ar movem o pelo solto. Estas proteínas alergénicas são extremamente leves e podem permanecer suspensas no ar durante horas, depositando-se em móveis, tapetes e roupa, e ser transportadas de um lugar para outro nas roupas das pessoas. Por isso, é possível apresentar sintomas mesmo em espaços onde não há cães. 

Fatores que aumentam a exposição a alergénios caninos 

A concentração de alergénios caninos no ambiente pode aumentar por várias razões.  

  • Raça e tamanho do cão. Não existem raças completamente hipoalergénicas, embora algumas libertem menos alergénios. Os cães de maior porte tendem a produzir mais proteínas alergénicas devido à sua maior quantidade de glândulas sebáceas e salivares. Raças como o pastor alemão, o labrador ou o golden retriever costumam gerar maiores quantidades de alergénios. Por outro lado, outras raças como o poodle, o bichon frisé ou o schnauzer miniatura, embora não sejam hipoalergénicas, podem provocar menos reações em algumas pessoas com alergias, já que mudam menos de pelo e produzem menos caspa. 
  • Ambiente doméstico. Os alergénios acumulam-se em espaços húmidos, com pouca ventilação e muitas superfícies têxteis, como tapetes, cortinas e móveis estofados. Esses materiais atuam como reservatórios onde as proteínas alergénicas podem permanecer durante meses. 
  • Estação do ano. Durante a primavera e o outono, muitos cães passam por mudanças na sua pelagem, soltando mais pelo e caspa. Além disso, costumam passar mais tempo ao ar livre, recolhendo pólen e outros alergénios que depois transportam para dentro de casa. 

A higiene e a limpeza da casa são fundamentais. Limpar regularmente tapetes, roupa de cama e superfícies, assim como ventilar os quartos, reduz significativamente a concentração de alergénios e alivia os sintomas em pessoas sensíveis.  

Manifestações clínicas da alergia a cães 

Pessoas com alergia a cães podem apresentar uma ampla gama de sintomas que variam em intensidade de acordo com a sensibilidade individual e o grau de exposição aos alergénios.  

Os sintomas respiratórios são os mais frequentes e incluem espirros repetitivos, congestão nasal, gotejamento nasal, comichão no nariz e garganta e tosse seca. Estes sintomas podem aparecer minutos após o contacto com o animal ou os seus alergénios. 

Os sintomas oculares também são comuns e manifestam-se como olhos vermelhos, lacrimação, comichão intensa e, ocasionalmente, inchaço das pálpebras. A exposição contínua pode resultar em conjuntivite alérgica recorrente. 

No caso de pessoas com asma, os alergénios caninos podem desencadear a asma alérgica e sintomas como dificuldade em respirar, opressão no peito, sibilâncias ao exalar e tosse persistente, especialmente durante a noite. Estes sintomas requerem atenção médica imediata, já que podem comprometer seriamente a função respiratória. 

As manifestações cutâneas incluem urticária, eczema e comichão nas zonas de contacto com o animal. Estas reações geralmente aparecem quando a pessoa toca diretamente no cão ou em superfícies onde os alergénios se depositaram. 

Métodos de diagnóstico para confirmar a alergia a cães 

Para diagnosticar corretamente uma alergia a cães, os especialistas dispõem de vários métodos. Os testes cutâneos, conhecidos como prick test, são o método mais utilizado devido à sua rapidez e fiabilidade. Nestes testes, são aplicadas pequenas quantidades de extratos de alergénios caninos na pele, geralmente no antebraço ou nas costas, e é realizada uma punção superficial. Se a pessoa for alérgica, aparecerá uma pápula avermelhada nos 15-20 minutos seguintes. O tamanho dessa pápula indica o grau de sensibilidade ao alergénio. 

As análises sanguíneas são outra ferramenta de diagnóstico valiosa, especialmente para pessoas que não podem ser submetidas a testes cutâneos devido a condições dermatológicas ou porque tomam medicamentos que podem interferir nos resultados. Estas análises medem os níveis de anticorpos IgE específicos contra alergénios caninos presentes no sangue. Valores elevados indicam sensibilização a estes alergénios. 

A combinação de ambos testes oferece maior precisão diagnóstica e ajuda a descartar falsos positivos ou negativos. Além disso, o especialista considerará o historial clínico do paciente, avaliando a relação entre a exposição a cães e o aparecimento de sintomas, o que fornece informações valiosas para confirmar o diagnóstico. 

Uma vez confirmado o diagnóstico, existem vários tratamentos para a alergia a cães, como os anti-histamínicos, a imunoterapia, os modificadores de leucotrienos ou os corticoides nasais. O médico especialista será responsável por prescrever a melhor opção para cada paciente.  

A alergia a cães representa um desafio para quem sofre desta, especialmente quando existe um vínculo afetivo com esses animais. Embora não exista uma cura definitiva para a alergia a cães, com o diagnóstico correto e as medidas preventivas adequadas, muitas pessoas conseguem conviver com os seus animais de companhia, minimizando os sintomas alérgicos e mantendo uma boa qualidade de vida. 

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Deve ler cuidadosamente todas as informações constantes da embalagem do medicamento e do seu folheto informativo e, em caso de dúvida ou de persistência dos sintomas, deve consultar o seu médico ou farmacêutico.