
Alergia aos cães: sintomas, tratamentos e remédios
Se tem ou pensa que pode ter alergia aos cães, sabe como pode ser difícil viver com eles sem que apareçam sintomas incómodos.
Embora se pense normalmente que a alergia é causada devido aos pelos, na realidade, a causa está em certas proteínas presentes na caspa, saliva e urina do cão. Estas partículas microscópicas dispersam-se facilmente no ambiente e podem desencadear reações alérgicas em pessoas sensíveis.
Alergénios específicos nos cães
A alergia aos cães está englobada dentro da alergia aos animais, sendo provocada por certas proteínas, das quais as mais comuns e conhecidas são:
- Can f 1, Can f 2, Can f 4 e Can f 6: são lipocalinas, um tipo de proteína presente sobretudo na saliva. De todas elas, Can f 1 é a mais comum: a maioria das pessoas com alergia aos cães é sensível a ela. Segue-se Can f 2, Can f 4 e Can f 6, embora estas sejam menos estudadas.
- Can f 3: é uma albumina que se encontra no soro, saliva e pele do cão. É essencial porque pode provocar reatividade cruzada com proteínas de outros mamíferos, como os gatos.
- Can f 5: é uma calicreína prostática que se localiza na urina e caspa de machos não castrados, pelo que os cachorros que não foram operados podem ainda causar mais reações. Tal como com a Can f 1, muitos pacientes com alergia aos cães são sensíveis a esta proteína.
- Can f 7: é uma proteína associada ao epitélio do cão. Embora se saiba menos sobre ela, já foi identificada como um potencial alergénio.
Sintomas
A alergia por contacto com cães produz uma série de sintomas que podem variar de ligeiros a moderados e até graves:
- Rinite. Este é um dos sintomas mais comuns. Caracteriza-se por congestão nasal, espirros e secreção.
- Asma alérgica. Em alguns casos, a exposição a alergénios pode desencadear problemas respiratórios, como dificuldade respiratória, aperto no peito e tosse, sintomas característicos da asma.
- Tosse e sibilâncias. A tosse seca e as sibilâncias são muito comuns ao respirar, especialmente se a exposição a alergénios for prolongada ou intensa.
- Congestão nasal e lacrimação. A inflamação da mucosa nasal provoca nariz entupido, excesso de mucosidade e dificuldade em respirar pelo nariz; por outro lado, a lacrimação costuma ser acompanhada de comichão e ardor ocular, como reação à exposição a alergénios do cão transportados pelo ar.
- Comichão e secura da pele. Os olhos ficam irritados e vermelhos devido à inflamação da conjuntiva. Comichão, ardor e desconforto com sensação de areia são comuns, o que pode dificultar a visão e causar fadiga visual.
Tratamentos para a alergia aos cães
Atualmente existem vários tratamentos que podem ajudar a lidar melhor com a situação:
- Anti-histamínicos. Reduzem a produção de histamina, que desencadeia reações alérgicas no nosso organismo. Ajudam, assim, a aliviar o desconforto, evitando ou reduzindo os espirros, a tosse, a comichão ou o prurido.
- Imunoterapia. Por outras palavras, treina o seu sistema imunitário para responder ao alergénio em questão. Isto é conseguido através de vacinas periódicas.
- Modificadores dos leucotrienos. Bloqueiam algumas substâncias químicas do sistema imunitário.
- Corticoides nasais. Ajudam a controlar e a diminuir a inflamação, assim como os sintomas de alergia.
Em qualquer caso, o ideal é que consulte o seu médico de família ou alergologista para encontrar a solução mais adequada para si.
Remédios caseiros
O remédio mais eficaz para a alergia deve ser sempre prescrito por um especialista, mas existem remédios caseiros para a alergia aos cães que podem ajudar a aliviar os sintomas no dia a dia e melhorar o bem-estar em casa:
- Limpeza da casa. Manter a sua casa limpa: aspire com frequência (de preferência com filtros HEPA), ventile diariamente e limpe as superfícies com um pano húmido para reduzir a acumulação de alergénios, como a caspa e o pelo do cão.
- Higiene do cão. Higiene frequente do seu animal de companhia. Lembre-se que as alergias são causadas, em grande parte, pelas proteínas da sua caspa, pelo que manter isto sob controlo é essencial para evitar momentos particularmente incómodos. Escova o seu cão regularmente (de preferência ao ar livre) e dê banhos com alguma regularidade com produtos suaves. Isto ajuda a diminuir a quantidade de alergénios na sua pele e pelo.
- Zonas proibidas ao cão. Restringir o acesso do animal a determinados locais, como o quarto, pode reduzir significativamente a exposição noturna a alergénios e melhorar a qualidade do sono.
- Utilização de purificadores de ar. Colocar um purificador com filtro HEPA nas zonas onde passa mais tempo pode ajudar a eliminar as partículas de alergénios suspensas no ar.
- Lavagem frequente dos têxteis. Cortinados, cobertores, capas de sofá e roupa de cama acumulam alergénios com facilidade. Lave-os com água quente de forma habitual para reduzir a carga de alergénios em sua casa.
Por último, é importante saber que não existe uma raça 100% livre de alergénios, embora algumas possam ser mais toleráveis para pessoas sensíveis. No entanto, lembre-se que cada organismo reage de forma diferente, por isso é boa ideia pesquisar e experimentar antes de tomar uma decisão.
Ter alergia aos cães pode ser uma barreira, mas com alguns cuidados, é possível viver com eles e ter uma vida razoavelmente normal. No entanto, é melhor consultar um médico para um diagnóstico e tratamento adequados.

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